2006/03/24

Angola

Na minha visita habitual ao “A Matéria do Tempo” acabei por “encalhar” num interessante blog ATTELIER DOS MANGUEIRINHAS.
Esta descoberta inesperada levou-me a fazer uma viagem no Tempo, ou não fosse a razão de ser deste Blog.
Pés a caminho, melhor dizendo, dedos a caminho e há que abrir o meu arquivo “morto” e encontrar as minhas recordações de... bem, já lá vão uns bons quarenta e tal anos e lá reflecti mais um pouco na minha filosofia barata de trazer por casa; “quem não reconhece o passado não aprendeu nada e não faz ideia do que é o presente”, (dix a.leitão). – espero que esteja bem escrito, porque o Latim da casa não é especialidade nenhuma, nem o Latim nem Língua nenhuma de falar.
Aberto o arquivo começa o reviver de velhos tempos. A chegada a Luanda no já desaparecido Paquete Vera Cruz, a visão paradisíaca da Ilha frente à cidade a ansiedade por conhecer novas terras, hábitos e costumes.
Nessa terra maravilhosa passei dois anos e meio com momentos agradáveis e outros nem tanto, mas como optimista encartado os - nem tanto - acabam diluídos lá no fundo da memória.
Há que fazer uma escolha das fotos, o que não é fácil, quer porque não posso utilizar muitas, quer porque a qualidade é “miserável”, o que tem uma explicação, mas isso daria origem a um “romance histórico” o que nem de longe nem de perto está nos “estatutos” deste Blog.
Tive oportunidade de conhecer aquela Terra desde o Ambriz até aos confins do Kuando-Kubando, passando pelo Lobito, Sá da Bandeira, Vila Luso, Gago Coutinho e tantos outros que me é difícil recordar nomes.
Durante os próximos quatro posts vamos lá fazer uma viagem no tempo...
As primeiras imagens de Luanda



A Avenida Marginal vista do Edifício da "Cuca". Para quem não sabe era a par da "Nocal" as cervejas da Terra

9 comentários:

Denudado disse...

Amigo A. Leitão, estive em Angola bastante mais tarde que o amigo, a avaliar pelas fotos de Luanda.

Pelo que diz e as fotos mostram, o amigo conheceu Angola de uma ponta à outra, o que, dada a extensão do território, foi obra, e que obra!

Quanto às cervejas em Angola, depois da Cuca e da Nocal apareceu uma terceira chamada Eka. Como era uma zurrapa, não conseguiu fazer mossa às outras duas, que se guerreavam ferozmente, no mais puro estilo americano. Aquilo fazia lembrar a guerra entre a Pepsi e a Coca Cola.

Cerveja boa, mas mesmo muito boa, era a da República do Zaire, actual República Democrática do Congo. A Star, então, era uma verdadeira delícia, que metia as cervejas angolanas no bolso.

a.leitão disse...
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a.leitão disse...
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a.leitão disse...

Caro Denodado
De facto fiquei a conhecer bastante de Angola por duas ordens de razões. Estive lá de Nov 62 a Mar 65 e colocado inicialmente no Úcua - Piri (quanto ao Quibaxe, se bem me lembro ficava a 25 km do Piri e também aí ia com frequência, e a pista já era de facto assim). No Piri fiquei cerca de oito meses passando a seguir para as operações especiais no Grafanil (ao recordar os nomes veem com facilidade à memória) e por essa razão fiquei a conhecer a região do Abriz, Bessa Monteiro, etc. situação que deu para uns meses e finalmente como prémio e digo-o sinceramente fui colocado em Gago Coutinho e aí a minha entrada pelo Kuando-Kubango, totalmente diferente do Norte mas era uma Terra maravilhosa (grandes caçadas e grandes estórias) e sobretudo porque os problemas aí só começaram dois ou três meses depois de regressar.

A outra ordem de razões estão relacionadas com as férias, enquanto todo o mundo ou quase, vinha ao "puto", eu decidi, já que estava lá, conhecer aquele Mundo. Assim foram as férias em Luanda, Lobito, Benguela, Nova Lisboa.
Tenho imensas fotos, a maioria de fraca qualidade, mas também a maioria com uma incidência essencialmente militar, por isso estão "politicamente" no arquivo morto.

a.leitão disse...

Caro Denodado,
Quanto às cervejas recordo agora que quando passei por Nova Lisboa, em férias, tive oportunidade dum convite do Gerente da fábrica da Nocal para uma visita. Levei mais dois companheiros de ocasião e digo-lhe uma coisa, nunca vi nem bebi tanta cerveja na vida. Foi uma tarde inteirinha.
O curioso é que o local das "bebedeiras" ficava numa espécie de torre com cerca de 5 andares com uma vista abrangente sobre a cidade, mas não tinha casa de banho. Para subir e descer era com os "rolamentos" de cada um. Conclusão, quando alguém ficava em stress "mijatório", era hora de descer e acabar, ninguém tinha coragem de voltar a subir!

Abruxo disse...

Estou a reconhecer todos os locais das suas fotos de Luanda, desde a Ilha de Luanda até à Avenida Marginal. Que saudade, revisitada em 2003, passados + de 30 anos.
Permita-me uma correcção quanto ao local documentado na sua última foto. É uma vista fixada a partir do edifício "Cuca", na altura o mais alto de Luanda, mas não corresponde à Av. Marginal, mas sim à Av. dos Combatentes, que ainda hoje mantém esse nome.
O edifício "Cuca", assim designado por ter no topo um grande painel publicitário a essa cerveja, não visível na foto, situa-se do lado esquerdo na agora designada Praça do Quinaxixe (anteriormente chamada Praça Maria da Fonte).
Lá mais para a frente, virando à esquerda, vamos dar ao Cinema Miramar que mais abaixo retratou e, para a direita, ao Bairro da Vila Alice (que manteve a designação de então).

a.leitão disse...

Caro Abruxo,
Antes de mais agradeço a correcção. São sempre bem vindas.
Saí em 65 e portanto é-me difícil muita precisão bem como recordar nomes.
Só por curiosidade. onde falo de Sá da Bandeira quero dizer Nova Lisboa. Foi com o desenrolar das recordações que apanhei o "Gato", "são coisas de outros tempos".
Em qualquer dos casos estas correcções reforçam em muito as nossas memórias!
PS:
Ainda agora recordo que no edificio CUCA no último andar, em 63, havia uma "boite" onde só se podia entrar de gravata. Podia-se entrar de "pijama" mas era obrigatório a gravata que até já lá tinham uma carrada delas para suprir as faltas!